13/04/2015

“A princípio foi esse olhar um simples encontro; mas, dentro de alguns instantes, era alguma cousa mais. Era a primeira revelação, tácita mas consciente, do sentimento que os ligava. Nenhum deles procurava esse contato de suas almas, mas nenhum fugiu. O que eles disseram um ao outro, com os simples olhos, não se escreve no papel, não se pode repetir ao ouvido; confissão misteriosa e secreta, feita de um outro coração, que só ao céu cabia ouvir, porque não eram vozes da terra, nem para a terra as diziam eles. As mãos, de impulso próprio, uniram-se como os olhares; nenhuma vergonha, nenhum receio, nenhuma consideração deteve essa fusão de duas criaturas nascidas para formar uma existência única”.

(Helena – Machado de Assis, pág. 140)

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